A restauração indireta de grandes defeitos posteriores, com lesões de cárie proximal que se estendem abaixo da junção cemento-esmalte, deixando as margens localizadas abaixo dos tecidos gengivais representa uma situação clínica muito comum no dia-a-dia. Essas margens gengivais podem ser cirurgicamente expostas pelo deslocamento apical do tecido de suporte; no entanto, isso pode causar a perda da união e alterar a proximidade das concavidades da raiz e das furcas. O objetivo desta revisão é abordar a literatura, sobre a alternativa não cirúrgica que existe, para realocar a margem cervical.

Em 1998, os autores Dietschi e Spreafico introduziram a técnica de realocação da margem cervical “Cervical Margen Relocation” (CMR), este procedimento se baseia na capacidade de se obter um isolamento adequado depois da extração do tecido carioso e da união de várias camadas de resinas compostas sobre a margem profunda, criando uma nova margem da restauração, mais coronal, facilitando o isolamento do campo operatório através do uso de diques de borracha, moldagem e procedimentos de colagem e cimentação (Magne 2012) (Dietschi 2015) (Kilebassa 2015) (Sarfati 2018). Em seguida, os autores Magne e Spreafico (2012) renomearam a técnica, para elevação de margem profunda “Deep Margen Elevation” (DME) adicionando à técnica o selo dentinário imediato (Magne 2009).

Vários estudos in vitro mostraram resultados promissores com esta técnica (Roggendorf 2012) (Frankenberger 2013) (Zaruba 2013) (Ilgenstein 2015) (Spreafico 2016) (Silva Gonçalves 2017) (Koken 2018). No entanto, a influência desta técnica no desempenho clínico, longevidade de restaurações e saúde periodontal ainda é desconhecida (Juliski 2018). Em um único ensaio clínico publicado, ao 12 meses de acompanhamento, conclui que se trata de uma técnica clinicamente
sensível, principalmente quando realizada em margens subgengivais profundas, também registrou maior incidência de sangramento em dentes tratados com elevação de margem e em coincidência com margens profundas, localizadas 2 mm ou mais da crista óssea (Ferrari 2018).

Esse procedimento é indicado nos casos em que não há violação do espaço biológico, caso haja invasão desse espaço é necessária uma abordagem cirúrgica (Veneziani 2010). É necessário avaliar radiograficamente a profundidade da restauração e da cárie existente, já que é possível analisar a futura localização da margem de preparo. A elevação da margem será de no máximo 1 a 1,5 mm, antes da área do ponto de contato proximal, já nas faces livres 2 mm é mais que suficiente.

Uma matriz curva deve ser utilizada para as regiões proximais, com a presença de paredes livres suficientes da estrutura dental residual para sustentar a matriz, uma vez que uma matriz tradicional reta gera um perfil de emergência insuficiente e inadequado. A altura da matriz deve ser reduzida antes do ponto de contato (ligeiramente maior selamento da margem com mais eficiência.

Não é necessário e nem possível a colocação de cunha.

Diversos tipos de resinas compostas podem ser utilizadas para a elevação, mas recomenda-se que seja de consistência fluida e baixa contração, pois evita a possibilidade de bolhas. De acordo com uma recente revisão de literatura, do autor Sarfati (2018), especula que existe um comportamento compatível entre a gengiva e as resinas compostas, sendo mais favorável nos casos de tecido queratinizado <2 mm (Stetler 1987).

Do ponto de vista clínico, essa técnica parece ser bem tolerada pelo periodonto quando realizada com isolamento adequado e boa união, o que leva a muito poucos ou nenhum sinal de inflamação clínica. Embora seja uma técnica muito sensível para executar, é considerada uma alternativa mais conservadora em comparação com procedimentos cirúrgicos.

Referências

Dietschi D, Spreafico R. Evidence-based concepts and procedures for bonded inlays and onlays. Part I. Historical perspectives and clinical ratio- nale for a biosubstitutive approach. Int J Esthet Dent 2015;10:210–227. 

Kielbassa AM, Philipp F. Restoring proximal cavities of molars using the proximal box elevation technique: Systematic review and report of a case. Quintessence Int 2015;46:751–764.

Magne P, Spreafico RC. Deep margin elevation: a paradigm shift. Am J Esthet Dent 2012;2:86–96. 

Frankenberger R, Hehn J, Hajto J, Krämer N, Naumann M, Koch A, Roggen- dorf MJ. Effect of proximal box elevation with resin composite on marginal quality of ceramic inlays in vitro. Clin Oral Invest 2013;17:177–183. 

Ilgenstein I, Zitzmann NU, Bühler J, Wegehaupt FJ, Attin T, Weiger R, Krastl G. Influence of proximal box elevation and the marginal quality and fracture behavior of root-filled molars restored with CAD/CAM ceramic or composite onlays. Clin Oral Invest 2015;19:1021–1028.

Roggendorf MJ, Krämer N, Dippold C, Vosen VE, Naumann M, Jablonski- Momeni A, Frankenberger R. Effect of proximal box elevation with resin composite on marginal quality of resin composite inlays in vitro. J Dent 2012;40:1068-1073.

Zaruba M, Göhring TN, Wegehaupt FJ, Attin T, Mehl A. Influence of a proximal margin elevation technique on marginal adaptation of ceramic inlays. Acta Odontol Scand. 2013 Mar;71(2):317-24. 

Juloski J, Köken S, Ferrari M. Cervical margin relocation in indirect adhesive restorations. A literature review. J Prosthodont Res 2018;62:273–280. 

Ferrari M, Köhen S, Grandini S, Ferrari Cagidiciaco E, Joda T, Discepoli N. Influence of cervical margin relocation (CMR) on periodontal health: 12 month results of a controlled trial. J Dent 2018;69:70–76 

Spreafico R, Marchesi G, Turco G, Frassetto A, Di Lenarda R, Mazzoni A, Cadenaro M, Breschi L. Evaluation of the In Vitro Effects of Cervical Marginal Relocation Using Composite Resins on the Marginal Quality of CAD/CAM Crowns. J Adhes Dent. 2016;18(4):355-62

Veneziani M. Adhesive restorations in the posterior area with subgingival cervical margins: new classification and differentiated treatment approach. Eur J Esthet Dent 2010;5:50–76 

Stetler KJ, Bissada NF. Significance of the width of keratinized gingiva on the periodontal status of teeth with submarginal restorations. J Periodontol 1987:58:696-700

Köken S, Juloski J, Sorrentino R, Grandini S, Ferrari M.Marginal sealing of relocated cervical margins of mesio-occluso-distal overlays. J Oral Sci. 2018 Sep 23;60(3):460-468

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