Os problemas clínicos mais comuns com restaurações indiretas estão relacionados ao tecido remanescente. Isto ocorre devido à falta de cuidados antes de restaurar. O objetivo desta revisão é abordar a literatura sobre o manejo clínico, criando protocolos de selamento da dentina e reconstrução.

O selamento dentinário consiste na hibridação da dentina exposta, imediatamente após a preparação do dente, seguida da aplicação de monômeros hidrofóbicos ou resina de baixa viscosidade, protegendo a dentina exposta após o preparo cavitário. Isso resulta em um maior potencial de adesão, pois é uma dentina recém-cortada e não uma dentina contaminada (Qanungo 2016).

A seguir, descreveremos a sequência clínica desta técnica, que deve ser realizada após a remoção do tecido cariado, com isolamento absoluto antes do preparo da cavidade, o que melhorará significativamente o desempenho clínico das resinas, aderidas a adesivos autocondicionantes (Moustafa 2011), também melhora o campo de visão.

1. Aplicação do sistema adesivo de auto-condicionamento

A aplicação do sistema adesivo deve ser ativa por 15 segundos, seja 2 passos ou 1 passo (Duarte 2009) (Sahin 2011). Essa ativação pode ser uma alternativa viável para aumentar a força de adesão (Loguercio 2015). Dilua o adesivo até que você não observe mais o escoamento, por pelo menos 10 segundos. No final, fotopolimerize por 20 segundos.

2. Aplicação de resina de baixa viscosidade

Nesta fase, o forramento com resina de baixa viscosidade ajudará a criar uma preparação mais homogênea em toda a estrutura, controlando a espessura da futura restauração indireta (Garcia 2007); Ao mesmo tempo, vamos proteger a dentina, selando-a completamente. Uma resina composta com um baixo grau de contração é preferível. A obtenção de uma espessura adequada aumenta a transferência de fotoativação. O material restaurador deve ser compatível com o adesivo, uma vez que algumas resinas “build up core” (resinas auto – dual) não são compatíveis com todos os adesivos (Garcia 2007). Recomendamos a utilização de resina de “Bulk Fill” com consistência fluida e um adesivo universal autocondicionante. No final, fotopolimerize por 60 segundos. 

A quantidade de reconstrução deve ser suficiente para obter uma espessura ideal da futura restauração, o que permitirá que a luz usada atinja a máxima conversão durante a cimentação (Lohbauer, 2010).

3. Bloqueio de ar para limitar a formação de “camada de inibição de oxigênio”

As superfícies das resinas compostas no ar, resultam em uma superfície coberta com um monômero livre, como resultado da inibição de oxigênio dos radicais produzidos pelo fotoiniciador-amina (Eliades, 1989). Essa consequência é o que beneficia a união entre os incrementos de resina; mas, por outro lado, essa camada inibida por oxigênio danifica a técnica de moldagem obtida com silicones por adição e poliéster, portanto a inibição de oxigênio nos preenchimentos de resina existentes é necessária para obter moldes sem defeitos (Magne 2009).

Nesta fase, aplicamos gel de glicerina sobre toda a superfície do preenchimento resinoso e polimerizamos por 10 segundos (Magne 2009); Por outro lado, o autor Ghiggi 2014, relata que a limpeza com álcool etílico a 70% é igualmente eficiente para a remoção da última camada inibida pelo oxigênio.

Uma questão controversial ainda surge, nesses protocolos, com a colocação de pinos em dentes tratados endodonticamente. Segundo Dietschi (2008), a indicação clínica para o pino está na restauração de uma coroa completa.

Em uma situação de margens cervicais profundas sem violação do espaço biológico existem alternativas não invasivas para realocar as margens em 1,0 a 1,5 mm, mas nos casos em que há uma invasão biológica é necessária uma abordagem cirúrgica (Dietschi 1997) (Magne 2012).

Este protocolo bloqueia os recortes, criando uma morfologia favorável que permite uma preparação mais conservadora, facilitando a cimentação por ser capaz de determinar a espessura da restauração. Também melhora consideravelmente a sua aderência, de acordo com estudos in vitro (Gresnigt 2017). Além disso, é possível cimentar sem anestesia, uma vez que a dentina exposta já foi hibridizada e coberta por uma camada anterior de resina composta (Hu, 2010).

Referências

Magne P, Nielsen B. Interactions between impression materials and immediate dentin sealing. J Prosthet Dent 2009;102:298–305.

Ghiggi PC, Steiger AK, Marcondes ML, Mota EG, Sophr AM. Does immediate dentin sealing influence the polymerization of impression materials. Eur J Dent 2014;8:366–72.

Eliades GC, Caputo AA. The strength of layering technique in visible light-cured composites. J Prosthet Dent 1989;61:31-8.

Magne P, Nielsen B. Interactions between impression materials and immediate dentin sealing. J Prosthet Dent 2009;102:298–305.

Duarte Jr S, Freitas CR, Saad JR, Sadan A. The effect of immediate dentin sealing on the marginal adaptation and bond strengths of total-etch and self-etch adhesives. J Prosthet Dent 2009;102:1–9. 

Sahin C, Cehreli ZC, Yenigul M, Dayangac B. In-vitro permeability of etch-and-rinse and self-etch adhesives used for immediate dentin sealing. Dent Mater J 2012;31:401–8. 

Loguercio AD, Muñoz MA, Luque-Martinez I, Hass V, Reis A, Perdigão J. Does active application of universal adhesives to enamel in self-etch mode improve their performance?. J Dent. 2015 Sep;43(9):1060-1070.

Garcia RN, Reis AF, Gianini M. Effect of activation mode of dual-cured resin cements and low-viscosity composite liners on bond strength to dentin. J Dent. 2007 Jul;35(7):564-9.

Hu J, Zhu Q. Effect of IDS on preventive treatment for post cementation hypersensitivity. Int J Prosthodont 2010;23:49–52.

Gresnigt MMM, Özcan M, Carvalho M, Lazari P, Cune MS, Razavi P, Magne P. Effect of luting agent on the load to failure and accelerated-fatigue resistance of lithium disilicate laminate veneers. Dent Mater. 2017 Dec;33(12):1392-1401.

Lohbauer U, Pelka M, Belli R, et al. Degree of conver- sion of luting resins around ceramic inlays in natural  deep cavities: a micro- Raman spectroscopy analysis. Oper Dent 2010;35: 579–586 .

Dietschi D, Duc O, Krejci I, Sadan A. Biomechanical considerations for the restoration of endodontically treated teet: a systematic review of the literature, Par II (Evaluation of fatigue behavior, interfaces and in vivo studies). Quntessence Int 2008;39:117-12.

Dietschi D, Spreafico R. Indi- rect techniques. In: Adhesive metal-free restorations – cur- rent concepts for the esthetic treatment of posterior teeth. Berlin: Quintessence Pub-ishing, 1997. 

Magne P, Spreafico R. Deep margin elevation: a possible adjunct procedure to imme- diate sealing. Am J Esthet Dent 2012;2:86–96 

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